Peripécias do ócio
 

Fiz do muito um pouco caso

E por acaso vi o fim chegar

Peito machucado

Relógio estragado

Gavetas vazias

Minhas cores não têm mais neon

E qual não foi a minha surpresa

Mal percebi e tinha os olhos abertos

Era o fim do amor, não era o meu fim.

 



Escrito por Karina Alves às 13:47
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Passam dias, passam horas

Meu café sem terminar

Sem terminar o que sobrou

Não sei por onde começar

Eu só eu naquele espelho

E o meu rosto está aqui

Alguém me disse que ia embora

Eu fiquei sentada ali

Alguém calçou meus sapatos

Alguém vestiu as minhas coisas

E eu procuro alguém sem nome

Às seis e meia da tarde

Não é pela rima, não é pelo tom

Mas dói, mas arde.

 



Escrito por Karina Alves às 00:14
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Let's straight things up...

 

-Look, you don't know how awful I'm feeling. I know I've been acting like a bastard, I know I'm almost never there when you need me, I know I'm terrible son. But you've gotta believe, I want to make you happy, I wanna make it up with you. That's why I bought you a present. It's a brand new TV with a fucking big stereo. It´s from Macy's!

- Oh, that's so sweet, baby. I love you

-Yeah, me too...I gotta get going, bye.

-Bye



Escrito por Karina Alves às 12:49
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  Pensamentos aleatórios

"How happy is the blameless vestal's lot!

The world forgetting, by the world forgot.

Eternal sunshine of the spotless mind!

Each pray'r accepted, and each wish resign'd ..."

Alexander Pope

 

"Need help? Ask out a pharmacist"

 Anônimo

 

Try not to press too much your heartbeats. How? Avoid feelings.

 

"Random thoughts about Valentine's day: Just a holiday created by greeting cards companies to earn money and make people feel like crap"



Escrito por Karina Alves às 16:09
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E ai um dia me mostraram este poema...

E ai eu achei a tradução para coisas mal acabadas...

 

O gato e o pássaro

      Uma cidade escuta desolada
      O canto de um pássaro ferido
      É o único pássaro da cidade
      E foi o único gato da cidade
      Que o devorou pela metade
      E o pássaro pára de cantar
      O gato pára de ronronar
      E de lamber o focinho
      E a cidade prepara para o pássaro
      Maravilhosos funerais
      E o gato que foi convidado
      Segue o caixãozinho de palha
      Em que deitado está o pássaro morto
      Levado por uma menina
      Que não pára de chorar
      Se soubesse que você ia sofrer tanto
      Lhe diz o gato
      Teria comido ele todinho
      E depois teria te dito
      Que tinha visto ele voar
      Voar até o fim do mundo
      Lá onde o longe é tão longe
      Que de lá não se volta mais
      Que você teria sofrido menos

      Sentiria apenas tristeza e saudades

      Não se deve deixar as coisas pela metade.

                                                                                  Jacques Prévert



Escrito por Karina Alves às 09:50
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  Biscoito de povilho...

A capa da Época desta semana: "Ele merecia ser roubado?". A frase acompanha uma foto do apresentador global Luciano Huck ao fundo, em tom bem sombrio. A resposta é óbvia, claro que não. Nem ele, nem eu, nem você, nem sua mãe, nem ninguém merece. Meu objetivo aqui é trazer outro questionamento, já levantado em outras ocasiões. A violência urbana só deve ser discutida quando a vítima é uma celebridade? Passei pelo sofrimento de ter um revólver encostado na cabeça por conta de uma bolsa contendo um celular barato e uns trocados e nem por isso ganhei capa de revista. Ainda que estivesse usando um rolex no braço, como foi o caso do apresentador, não teria ganhado uma nota no Super sequer. Um amigo sofreu trauma ainda pior, foi obrigado a passar por uma roleta russa por causa de um celular. Continua no anonimato do mesmo jeito...
Apesar de não gostar de televisão, admiro o Luciano Huck porque o acho um sujeito carismático, por isso repito, ele não merecia ser roubado. Mas os assaltos que ocorrem a cada segundo neste país não vão parar por conta dele. Não são a capa da revista Época e os inúmeros artigos espalhados  por ai a respeito do assunto que vão impedir milhares de brasileiros de serem, nas palavras do apresentador, "humilhados por um calibre 38 e correrem o risco de não verem os filhos crescer por conta de um relógio". Aliás, tem muito brasileiro por ai perdendo a vida e o direito de acompanhar o crescimento dos filhos por conta de objetos bem menos valiosos que um rolex.
O que mais me desanima não é ver a repercussão que essas coisas ganham somente quando afetam estrelas da TV, o pior é o desfecho da história. O Luciano Huck vai comprar outro relógio e ganhar a capa da Caras ao invés da Época, o ladrão que o assaltou vai tomar o cuidado de nunca mais abordar uma celebridade e a revista Época vai ficar na dúvida entre dar a capa da próxima edição para o futuro BBB 8 ou a discussão sobre o CPMF...
>

Escrito por Karina Alves às 21:06
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Poeminha um tanto quanto triste, mas bonitinho...

Time cannot break the bird's wing from the bird.
Bird and wing together
Go down, one feather.

No thing that ever flew,
Not the lark, not you,
Can die as others do.

                                     Edna St. Vincent Millay
   

 



Escrito por Karina Alves às 16:15
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Quem veio primeiro, o ovo ou a Dercy?

 

Aaaaahhhh o ócio, o ócio e sua incrível capacidade de nos divertir! Enquanto o tédio reinava durante a primeira aula do segundo semestre, eu, Fernando e Diana (aquela que costuma dizer aos outros que se chama Aline) começamos a ter idéias. Inúteis, é lógico! Atinamos para o fato de que Dercy Gonçalves já completou cem anos (isso é o que ela divulga) e até agora não fizemos uma homenagem decente. Bom, eis aqui o ambiente propício para isso. Nada mais adequado do que contribuir com a cultura dos leitores (vocês existem?) contando a História da humanidade seguindo os passos da nossa ilustre peça viva de museu. Segue a lista de eventos:

 

-No tempo de Adão e Eva, a macieira que semeou o pecado no mundo foi plantada por Dercy Gonçalves;

-Nostradamus começou a pressentir o fim dos tempos ao ver Dercy nascer;

-O batizado de César, o grande, foi  motivo de muita festa e alegria. Dercy foi a madrinha;

-A humanidade só tem notícias da tragédia de Sodoma e Gomorra porque Dercy foi a única testemunha que ficou viva;

-Aliás, ela também foi testemunha ocular da Pangéia;

-O primeiro emprego de Dercy foi como tradutora na torre de Babel;

-Se a mãe de Hitler tivesse escutado os conselhos de Dercy sobre o mau comportamento do lunático desde menino, talvez o mundo não tivesse visto o holocausto;

-O mesmo vale para a mãe de Stálin, comadre de Dercy;

-Não fosse o empenho de Dercy, a dinastia dos Stuarts não teria vingado na Inglaterra;

-Dercy foi a única pessoa no meio da multidão a protestar contra a liberdade de Barrabás;

-Dercy foi a oitava praga do Egito;

-Dercy foi à inauguração das oito maravilhas do mundo. As antigas;

-O guia dos três reis magos até a manjedoura foi Decy, e não a estrela de Belém;

-Deus disse: “Faça-se a luz!”, logo em seguida Dercy retrucou: “Apaga que eu preciso dormir!”;

-Depois que o Criador terminou de fazer o mundo, Dercy foi guia turístico;

-Foi Dercy que buscou água para Pilatos lavar as mãos;

-Dercy preparou uma muqueca com os peixes que Jesus multiplicou;

-Foi Dercy quem afundou Atlântida;

-Sobre a pedra do jardim de Dercy, Pedro edificou sua Igreja;

-O dragão de São Jorge foi o primeiro animal de estimação de Dercy;

-Dercy ajudou a cortar madeira para a construção da arca de Noé;

-Dercy foi mãe do primeiro Homo Erectus;

-Por cinco vezes Dercy tentou violar a caixa de Pandora;

-O 12º trabalho de Hércules foi indicado por Dercy;

-Foi Dercy quem acendeu a fogueira que queimou Joana Darc;

-Foi Dercy quem trocou o mapa das Índias;

-Dercy libertou os escravos de Jó, atirou o pau no gato, fundou a fonte do Tororó e quebrou o anel da ciranda;

-Dercy foi bisavó de Matusalém;

-O primeiro peido de Dercy ocasionou o Big Bang;

-Ben Hur foi dirigido por Dercy;

-Foi Dercy quem deu à Dalila a tesoura para cortar o cabelo de Sansão;

-Dercy fez teste para interpretar a professora Helena do carrossel;

-Dercy levou o Chavés pela primeira vez à Acapulco;

-Dercy já foi a Power Ranger Rosa;

-Dercy tentou avisar à Lênin que Stálin não prestava;

-O rascunho da carta de Pero Vaz foi escrito por Dercy;

-Apesar dos esforços, Dercy não conseguiu ser a musa inspiradora de Leonardo DaVinci e perdeu lugar para a Monalisa;

 

 

O que é o Almanaque Abril, depois de uma trajetória dessas?

 

 

 

 



Escrito por Karina Alves às 21:10
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  Os rumos da tragédia

A atração que as pessoas costumam ter por desgraças alheias as vezes chega a ser pior do que a tragédia em si. É algo que me intriga. Quem acompanha os meios de comunicação diariamente também deve ficar intrigado. Que o fato de um avião lotado colidir com um prédio e deixar mais de 200 pessoas mortas consegue chocar qualquer cidadão comum, não há dúvidas. O que me incomoda é a forma como o problema é discutido daí em diante.
 
Obviamente, como qualquer outro ser humano normal, imagino como deve ter sido penoso para os familiares das vítimas, agora o que eu gostaria de entender é como a mídia pensa em colaborar com os familiares e com o resto da população do país ao exibir fotos, histórias e nomes dos mortos exaustivas vezes durante dias consecutivos. As capas das revistas se rechearam de fotos dos passageiros e funcionários da Tam, nos jornais inicia-se uma busca desenfreada por conseguir histórias de parentes abalados com o acidente, não é possível saber se a paranóia para tentar conseguir um culpado pelo que aconteceu é realmente uma forma de cobrança ou simplesmente o desespero para conseguir uma manchete nova. 
 
Pior do que tudo isso, começa-se a confundir solidariedade com morbidez. Não duvido de forma alguma que muitas pessoas devem ter se comovido com o que aconteceu, mesmo sem ter algum tipo de ligação com os passageiros. Eu mesma me emocionei ao ver a reportagem que mostrava o exato momento em que a lista do avião foi lida aos parentes das vítimas. 
 
A questão é que a partir daí, a imprensa mostra até onde vai a sua capacidade de atrair atenção. Ela se alimenta da dor dos outros. Ela mostra que ao mesmo tempo que pode ser correta e respeitosa ao finalizar um noticiário da TV em silêncio, pode também ser mercenária ao lucrar com centenas de histórias tristes de quem ficou vivo e perdeu um amigo ou parente. 
 
A indignação não se restringe a quem publica, mas também a quem consome. Porque se a mídia insiste em apontar culpados freneticamente, em mostrar ao público quem eram, o que faziam ou deixavam de fazer as vítimas do acidente, existe quem compra, quem assiste, quem procura. Talvez se as pessoas não espalhassem fotos da situação em que morreram os passageiros pela internet - como foi feito na época do acidente da gol - ou se não se interessassem tanto pelo conteúdo das falas na caixa preta do avião. (Esta que aliás, não desperta curiosidade do público pelas causas do acidente, mas por conta das últimas palavras das pessoas antes do momento da morte). Enfim, se não ficassem tão extasiadas com a tragédia alheia, talvez assim a mídia poderia achar um método melhor de conduzir as reportagens. >
 
Agora que todo mundo já foi informado, e muito bem informado, a respeito da trajetória de vida das vítimas, o foco das atenções são as causas do acidente. Anac, infraero, pista, piloto, falha mecânica, Lula, Marta Suplicy e suas declarações infelizes, minha avó e talvez até a tocha apagada do Pan (vai saber, sobrou pra tudo e pra todo mundo mesmo...). O que não falta são possíveis razões para se apontar. Aí o outro problema. A possibilidade disso ou daquilo.
 
Enquanto este engodo se estende a população dorme com a confortável sensação de que algo está sendo feito, de que pelo menos a mídia está fazendo sua parte. O que muitos não param para perceber é que este aponta-aponta não leva a lugar algum. Quero não estar certa em minha previsão, mas temo que este problema seja conduzido como foi o acidente aéreo de 2006 e a crise dos aeroportos: muito estardalhaço para poucas soluções. 
 
Afinal de contas, questionamentos não faltaram até o momento. O que ainda não vi estampado em jornal nenhum até agora foram respostas.Nem uma sequer.


Escrito por Karina Alves às 20:34
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Apesar da minha pouca experiência a respeito de fotografia, acho difícil que alguém discorde de mim quando afirmo com todas as letras que o trabalho desse cara é f-a-n-t-á-s-t-i-c-o!

Vale conferir,

www.gregconstantine.com

 



Escrito por Karina Alves às 16:41
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  Reciclável

Alexander Parkes. Assim como outras grandes figuras como Santos Dumont, Einstein ou Thomas Jefferson, este deveria ser um nome de reconhecimento. Parkes foi responsável por criar uma das espécies mais antigas de plástico, no ano de 1862, em Birmingham, o produto foi obtido na tentativa de imitar marfim. Desde o início, o material carrega o estigma de imitação. Sendo assim, talvez seja justo também dar a Parkes o mérito de sacramentar o plástico como figura singular de representação da cópia barata, do falso, do descartável.

Achei válido resgatar alguns minutos do meu dia para fazer este post porque é de suma importância que Parkes tenha seu reconhecimento. Afinal de contas, não creio que exista um material mais largamente utilizado, procurado e assimilado em nossas vidas. Tanto como produto quanto como metáfora. Aliás, como a metáfora nos cabe como luvas...

O sucesso do plástico se deve por ser um material normalmente barato, portanto mais interessante para a produção em massa do que materiais mais refinados, de fácil descarte e prático. Barata, descartável e prática, não preciso de adjetivos melhores para descrever a sociedade e sua ensebada rotina.  A plastificação da vida social é uma doença. João é melhor do que José porque comprou o carro do ano, mas logo se tornará inferior, porque José já se interessou pelo modelo que o Brad Pitt dirige na propaganda. Maria vai perder o namorado porque ele encontrou uma coroa milionária para lhe proporcionar uma vida de rei, com direito a roupas de grife, festas, drogas e muitas viagens. Luisinha está cercada de amigos no novo colégio, já que agora descobriram que ela é membro de uma das famílias mais ricas do país. Enquanto isso, o filho do porteiro, que só estuda em escola cara porque ganhou bolsa, se esforça para conseguir um colega para fazer o trabalho de ciências.  

Assim, o enredo nojento com cheiro de PVC, se repete e aumenta, das micro até as macro relações. Todo mundo reclama das mentiras políticas, da bandalheira, da corrupção, da falsidade das autoridades nas conversas de botequins. Dessas mesmas bocas reclamonas saem declarações de estima a pessoas que no fundo só querem ver pelas costas. Se alguma situação atinge os limites do absurdo e do questionamento, a resposta pode ser simples. “Não gosto de fulano mesmo não, mas a gente tem que adular, né...são as convenções sociais”

Nojento. É assim que encaro muita coisa ultimamente. Gente que sorri para mim, mas não consegue me criticar face a face. Gente que me sorri um sorriso tão brilhante como uma embalagem de chips. Gente que mal, mal me dá bom dia e me pede demonstrações de carinho (???? Isso, eu juro que é difícil engolir!!).

São as relações de plástico. Tão falsas quanto a vida de pessoas que insistem em imitar o cotidiano dos personagens de novela. Gente que diz amar todo mundo, gente que quer beijar e abraçar todo mundo, gente que diz ter milhares de amigos. É tudo muito vulgar, muito banal.  Quem conhece o valor verdadeiro de um abraço, de um beijo, de um carinho no cabelo que seja, da sensação de ouvir um “te amo”, não banaliza esse tipo de coisa.

Vale lembrar que Parkes faliu em seus empreendimentos em menos de uma década. Eu tenho esperança que os rumos desse mundo plastificado sejam os mesmos que os dele. Pelo menos assim, terei certeza que o abraço que recebo é verdadeiro. Se alguém tiver engov por ai, por favor, me arranje um...

 



Escrito por Karina Alves às 06:35
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Minha interpretação do Kenny.

Durante o final da minha infância e por toda a adolescência, South Park foi um desenho que me acompanhou. Quem me conhece, nota de cara que o desenho mal educado tem tudo a ver comigo. Retrata situações bizarras, com personagens nada comuns e contêm diálogos repletos de palavrões. A receita perfeita para uma adolescência com A maiúsculo. Muita cultura "junk food" para depois das tarefas de escola...(bom, pelo menos era melhor do que gastar tempo assistindo a porra da Malhação).

Talvez o personagem com quem eu mais me identificasse fosse o Cartman. Um moleque mal humorado, sacana e que não perde uma oportunidade de mandar o primeiro que apareça ir se fuder. Mas o engraçado é que o Kenny foi a figura que sempre me intrigou.

Kenny é aquele menino que sempre fica apagado na turma, mas que nunca larga os chamados "amigos". Ele é o único pobre (para não dizer miserável) em meio a uma turma que esbanja uma infância bem vivida em casas de classe média. Toda vez que ele abre a boca para manifestar alguma opinião, o casaco o impede de falar direito, o máximo que ele consegue expressar é "humpfhumhufmpppf". Em outras palavras, ninguém se importa com o que ele fala, ele é tão zero a esquerda que é melhor que continue apenas vivendo como um semi-vegetal junto ao amigos. Para piorar a situação, ele morre de maneira trágica em todos os episódios e retorna sempre no episódio seguinte sem nenhuma justificativa plausível. O máximo de comoção que a turma dele expressa é: "Oh my God!! They killed Kenny!! You bastard!!!" Na fala seguinte, um dos personagens solta algo como "all right, let´s go find something to do" e fica tudo por isso mesmo.

Acho que única coisa que é gritante no Kenny é seu visual. Enquanto os outros garotos usam roupas discretas, ele está sempre com um chamativo casaco laranja. É ai que explico porque considero o Kenny a figura mais intrigante do South Park. Ele é simplesmente a miséria humana de marca texto. Kenny é uma figura universal. Ele é o pé rapado que existe no Brasil, no México, na Índia, na Rússia, em qualquer lugar nesse planeta medíocre, é possível encontrar um Kenny.

O insignificante garoto de casaco laranja vive inserido numa realidade que não é dele, anda cercado de crianças que se dizem amigas, mas que no fim das contas pouco se importam se ele está vivo ou morto. Ele morre e renasce todos os dias, simplesmente para buscar uma forma mais trágica de morrer, na tentativa de chamar a atenção do mundo nem que seja pelo mesmo tempo que um fósforo gasta para se apagar. Ele não tem direito nem à palavra, esta que lhe é sufocada toda vez que ele insiste em abrir a boca para falar. Ele só existe para preencher vazio, para divertir o mundo com sua desgraça, para levantar a bandeira do nada e não deixar que a falta de sentido na vida, pare de ter sentido (pense na profundidade disso).

O Kenny é o moleque que morreu de fome hoje no subúrbio de Xangai, ainda alijado do desenvolvimento capitalista. É a criança que vai morrer de Aids amanhã na África. É aquele pivetinho que fica ali na Avenida do Contorno fazendo malabarismos no semáforo. É a menina palestina que ficou surda por conta de uma bomba. É o rapazinho que está limpando o cano de uma AR-15 na fronteira da Colômbia com o Brasil. É a garotinha que foi vendida para se prostituir na Europa. É a criança de qualquer parte do mundo que teve seus órgãos vendidos. Eles só não usam casacos laranjas, mas estão espalhados por aí.

O modelo de entretenimento proposto pelo desenho com certeza não deve ter tido a intenção de provocar esse tipo de reflexão, até mesmo porque acho que fui muito além nessa leitura "humanista-radical". Enfim, mesmo que a linha do desenho não caminhe por esse lado, o mais engraçado é que o desenho porra louca que parece não querer nada muito diferente do que divertir as pessoas com muito palavrão e putaria, me fez refletir muito mais do que os personagens politicamente corretos que a quadrada da Rede Globo insiste em nos fazer engolir nos episódios de Malhação...



Escrito por Karina Alves às 22:44
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Isso aqui pode até ter um lado bom gente...serve para dar sugestões. Se a sugestão é boa ou ruim, vai do bom senso de cada um. Se me der na cabeça de sugerir a vocês que saiam rodando na praça Afonso Arinos sem as vestes e com um pêndulo em cada orelha, eu sugiro. E sem a menor dor na consciência. Agora não me venham depois com lamúrias e reclamações depois do ridículo. “Eu fiz porque a Karina mandou!!!”. Pelo amor de Deus, né...

 

Vai ai uma sugestão boa (ao meu ver é uma sugestão ótima). Assistam o filme “trainspotting”. Todo mundo é feio, o filme não tem final feliz e não tem cenas bonitas. O mais espetacular de tudo é que ainda assim consegue ser muito bom. O texto abaixo faz parte dele, e eu adoro lê-lo de tempo em tempo.

 

Choose life. Choose a job. Choose a carrer. Choose a family. Choose a fucking big television, choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol and dental insurance. Choose fixed interest mortage repayments. Choose a started home. Choose your friends. Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in average of fucking fabrics. Choose DIY and  wondering who the fuck you are on Sunday morning. Choose sitting on that couch whatching mind-numbing, spirit-crushing games shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rooting away at the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brtas you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life.



Escrito por Karina Alves às 13:43
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E então criou-se a luz! (será?)

 

Comecei um blog sem ter o que escrever, e daí? Ninguém tem um texto pronto na ponta do lápis, muito menos na ponta da língua...o que interessa é que nada aqui interessa muito, eu só preciso de um lugar pra escrever o que vier na cabeça, ou seja, podem esperar muito mais bobagens do que outra coisa qualquer. Afinal de contas, que jogue a primeira pedra quem só tem pensamentos úteis estocados na cabeça. Agora eu estou sem inspiração, um pombo me irritou profundamente há pouco e acabou com minhas idéias...quando paro para pensar em algo, só consigo lembrar de um barulho maldito que ele fazia enquanto corria de asas abertas, peste! O ócio definitivamente é um problema sério...da mesma forma que pode contribuir para criar idéias brilhantes, tem horas que não consegue me dar nada melhor do que passar um tempão imaginando como seria descer um barranco numa folha de bananeira ao som de “Sandra Rosa Madalena”.  Como podem notar, até este exato momento, o ócio ainda não quis me ajudar...



Escrito por Karina Alves às 13:00
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